Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Dos vendedores que não sabem ouvir um "não" como resposta.

Ontem fui ao Vasco da Gama comprar umas coisas no Continente [sim, a minha mãe é querida mas mandou-me um sms com uma lista enorme de cenas para comprar no mercado....]. Na saída lembrei-me que uma amiga fazia anos [foi mais o facebook a lembrar-me mas não vem ao caso] e passei na Parfois para ver se encontrava alguma coisa gira para oferecer. Estava a pensar numa carteira ou assim, de maneira que fui para o fundo da loja [onde ficam as malas e porta-moedas] e eis que tenho o seguinte diálogo:

Vendedora: Boa noite, precisa de ajuda?
Eu: Boa noite. Não, obrigada, ainda estou a dar uma vista de olhos.
Vendedora: Com certeza. E o que é que tem em mente? Uma malinha? Uma carteira?
Eu: Pois, ainda estou a decidir... é para oferecer a uma amiga que faz anos, ainda não tenho nada em mente, obrigada. [e, disfarçadamente, começo a andar para o outro corredor...]

Odeio sentir que estão a pressionar-me para comprar algo, odeio vendedores que tentam impingir as coisas, odeio, odeio. É que se dá precisamente o efeito contrário: tenho logo vontade de sair da loja o mais rapidamente possível.

Entretanto vejo uma mala gira e agarro-a para ver como ver como é por dentro, os acabamentos, essas coisas [nisso sou como os espanhóis, tenho que ver com as mãos]. De repente a vendedora aparece ao meu lado como um raio:

Vendedora: Gosta dessa? Chegou essa semana... E já é a última. Penso que também há noutras cores, quer que eu vá verificar?

E eu a pensar: ai foda-se que a gaja não me larga. Vai na volta ainda peço para a rapariga ir ver em armazém se há noutras cores e no final acabo por não levar nada e vou sentir-me mal por ter dado trabalho à toa...

Respondo: Não, obrigada. Como eu disse, ainda não me decidi por nada.
Vendedora: Mas olhe que esta é mesmo bonita e é numa cor que está muito na moda. Agora vai usar-se imenso este azul. Já ouviu falar na tendência Navy?
Eu, já sem paciência: Sim, sim... é aquela dos marinheiros e das coisas com listras vermelhas, azuis e brancas. Conheço.
Vendedora: É isso mesmo... e essa mala é mesmo linda. Até vou reservar uma para mim quando chegarem mais, porque ela condiz com todo o tipo de roupa. [e eu a pensar: ora mas então porque não leva já essa? grrr]

Voltei a pousar a mala na estante e ela diz: Tem a certeza que não vai levar a mala? Olhe que ainda se arrepende... e essa é mesmo a última.

Respondi apenas um: Obrigada, boa noite. 
E saí porta afora.

Senhores da Parfois, aqui fica uma dica: essa não é, de todo, a melhor estratégia para agarrarem os clientes. Eu diria que é mesmo de fazer com que eles fujam como se fossem perseguidos pelo próprio demônio. Até tive vontade de espreitar os fios e os anéis mas com tanta afobação da vendedora, perdi completamente o desejo. Não gosto que me apertem contra a parede [o único que desfruta de tal privilégio é o M. e olha olha] e odeio vendedoras muito efusivas, se é que me faço entender. Menos, Parfois, bem menos.

Já vos aconteceu algo parecido? De entrarem em uma loja e serem tão massacrados com demasiadas perguntas que desistiram de comprar? Ora, compartilhem que eu cá gosto de saber que essas coisas não acontecem comigo. Sim?

6 comentários:

Inês disse...

Comigo não, mas aconteceu semelhante à minha mãe, que um dia estava na multiopticas e pediu para ver uns óculos de sol. A minha mãe está quase nos seus 50 anos, gosta de coisas discretas, ora. A vendedora começou a mostrar-lhe óculos amarelos e azuis e mais tarde sai-se com esta: 'Olhe estes, com o pormenor da joaninha com um brilhante, um mááááááximo!', despedindo-se ainda com um efusivo 'tchau querida!'. Acho que os vendedores para além de aprenderem a tratar os clientes, sem impingir, deveriam tentar identificar o tipo de cliente que estão a atender, coisa rara por estas bandas x)
Beijo :)

mrfashionmood disse...

O pior é que é essa a política de muitas lojas. Actualmente, estão a ver-se aflitas para vender e mandam as empregadas quase "obrigarem" o cliente a comprar, já trabalhei numa loja com um atendimento mais personalizado e sei como é e quando não vendíamos a culpa ainda era nossa... :S

Doce de Leite disse...

OMG esta loja é do pior em termos de massacrar os consumidores. Já me aconteceram várias peripécias!!, Uma vez estava eu a comprar um anel quando a dita empregada me tenta impingir uma pulseira: ao que eu digo que não quero mais nada, só quero o anel (não dando hipóteses à continuação do diálogo). Ao que ela me responde "se não levar uma pulseirinha vou ficar chateada consigo!" Ao que eu fiquei com cara de poucos amigos a olhar para a miúda! Depois de um silêncio gelado diz ela "estou a brincar consigo!" e eu continuei em silêncio.......

Numa outra loja, da mm empresa, a minha mãe pediu ajuda a uma empregada acerca de um artigo, ao que ela responde: Diz, mor? Precisas de ajuda?
Bom... MOR!!! ela disse MOR!À minha mãe!! Pensei que ela se teria enganado, ou que eu tinha ouvido mal, quando oiço uma outra empregada, a falar para uma cliente no mesmo tom: Oh mor não gostas desta?

SOCORRO! wtf?

Sara Silva disse...

eu também odeio isso! não sei porquê mas as empresas acham que é bom as funcionárias virem ter connosco e sugerirem-nos coisas, parece-me bem e é como se estivessem a dar a atenção que nós queremos receber.. pensam eles! eu era muito mais feliz se pudesse entrar e sair das lojas à vontade, sem ter ninguém atrás de mim a perguntar se preciso de ajuda -.-

Luka disse...

Eu fujo dessas lojas. sinceramente acho que só afastam os clientes por serem evasivas de mais. já para não falar daquele olhar atento que nos fazem sempre que nos movemos...
Não dá!!

A Garota de Ipanema disse...

@Inês: Epá, o que fizeram à tua mãe não se faz. Esta gente anda tudo doida ou o quê? Pormenor de joaninha? Para uma senhora de 50 anos? Sinceramente... Há que ter noção. A cereja em cima do bolo foi mesmo o "tchau, querida!". Na loja onde eu trabalho isto é sumariamente proibido. É senhora ou você. Nada de intimidades e acima de tudo, profissionalismo. :**

@mrfashionmood:Tens razão, a grande maioria das lojas anda desesperada para vende até as paredes e obrigam as vendedoras a chegarem neste estádio. Eu sei que há crise, que o pessoal compra menos, mas não é assim que vamos dar a volta. Enfim...

@Doce de Leite: Lol, que diálogo mais bizarro. Dá vontade de responder: "Ai vais ficar chateada? Pois que fique! Não lhe conheço de lado algum, oras." Eu sou educada mas há horas em que me salta a tampa.
Tratar as clientes por "mor" é mesmo o fim da picada. É do mais anti profissional que há e sinceramente, se fosse comigo nunca mais lá metia os pés.

@Sara Silva: Concordo contigo. Também era infinitamente mais feliz se pudesse entrar e olhar à vontade, e mexer, experimentar... sem ter sempre alguém atrás de mim a perguntar se eu preciso de ajuda. Se eu precisar, chamo, oras. Tenho boca. Aiii que nervos!

@Luka: Esta coisa do "olhar atento quando nos mexemos" dá-me cabo dos nervos. Já nos chineses é a mesma coisa. Anda uma empregada a seguir-me, tipo sombra. Uma vez disse em alto e bom som: Fica descansada, que eu não vou roubar nada, sim? Odeio este tipo de coisa.

 
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